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26 de fevereiro de 2026 - Ano 17 - Nº 868
Carreira
 

Quem precisa de mentoria?
Entenda como ela pode mudar sua carreira

Você já se sentiu como uma sacola de plástico, voando à mercê do vento? É assim que a cantora Katy Perry descreveu a sensação de se estar perdido na canção "Firework", lançada em 2010.

Há momentos da vida (e da carreira) em que você precisa de um apoio a mais para alcançar todo o seu potencial. Um mentor pode ajudar a entender seus acertos, erros, pontos fracos a desenvolver e pontos fortes a potencializar.

Na edição de hoje, ajudo você a refletir se é hora de procurar uma mentoria para chamar de sua.

O quê? Mentoria profissional é uma relação estruturada de aprendizado em que um profissional mais experiente orienta outra pessoa no desenvolvimento de carreira, compartilhando conhecimentos, experiências e perspectivas sobre o mercado de trabalho.

Em geral, é composta por encontros esporádicos entre o mentorado, um profissional menos experiente, e um mentor, que acumula mais conhecimento em determinada área.

Para quê? A ideia é aperfeiçoar suas condutas e objetivos, dando um novo gás na carreira. Ninguém melhor do que quem já trilhou o caminho que você deseja percorrer para dar as coordenadas.

Um profissional com mais experiência pode palpitar, aconselhar, criticar, dar dicas e atalhos para que você chegue onde quer.

Sob medida

Procurar um mentor pode ser um desafio. Quanto maior a complementaridade entre trajetórias, ambições e personalidade, mais proveitoso o processo. É bom encontrar alguém com que você se identifique, mas com quem também enxergue diferenças.

Giselle Welter, CTO da RH99 e responsável técnica pela metodologia HumanGuide no Brasil, destaca a importância de procurar alguém que não seja seu exato reflexo —se duas pessoas são muito parecidas, é mais difícil que elas enxerguem defeitos uma na outra.

Ela lista algumas formas de procurar um mentor.

Algumas empresas têm programas internos de mentoria —ou seja, há iniciativas do RH para juntar grupos ou duplas de profissionais jovens e sêniores em dinâmicas de orientação. Procure saber se isso existe onde você trabalha.

A aproximação informal também pode ser uma forma de mentoria. Aproximar-se de um superior, pedir-lhe conselhos e marcar cafés esporádicos é uma maneira de obter informações importantes.

Existem consultorias especializadas nesse tipo de serviço, com profissionais acostumados a dar esse tipo de orientação. Você pode procurá-las e entender como eles realizam esse trabalho.

Dica da especialista: caso opte por contratar um profissional ou abordar alguém que você não conhece, marque uma conversa antes de selar o negócio. É importante saber se há uma boa troca entre as duas partes antes de embarcar em um compromisso.

"O mentorado precisa estabelecer quais são os critérios relevantes para ele: currículo, anos de companhia, experiências internacionais, escopo da área, habilidades de liderança. Saiba o que você procura e gostaria de acrescentar."

- Lembre-se de que ser um mentor exige tempo e dedicação. Nem sempre, a pessoa que você gostaria de ter como orientador terá disponibilidade para arcar com essa responsabilidade. Não vale ficar chateado se não der certo de primeira, ok?

- Seja cuidadoso nesse processo. A psicóloga lembra que há muita gente usando o título de mentor no LinkedIn sem ter a experiência correspondente. Escolha com calma.

"Timing" é tudo. Welter alerta: não adianta procurar uma mentoria se você nem sabe o que quer da sua carreira. É preciso ter mais ou menos uma ideia da direção que você quer seguir em nome de encontrar um "match" adequado.

Se você está alguns passos atrás, pode procurar uma orientação de carreira.

- Para a especialista, um bom momento para procurar mentoria é na transição entre uma vaga técnica e uma vaga de liderança. Um bom técnico nem sempre tem o que é necessário para ser um bom chefe (já falamos disso aqui), mas é possível desenvolver essas habilidades na companhia de quem já passou por isso.

Não confunda… mentor com psicólogo. Nem com "coach". Giselle Welter explica as diferenças.

Se o que está impedindo o seu desenvolvimento é algum tipo de sofrimento como insegurança, desconforto ou frustração, o melhor caminho é procurar psicólogo e iniciar o processo de terapia.

O papel do coaching é resolver uma questão pontual em um tempo específico, enquanto a mentoria tem um horizonte mais longo.

No fim das contas… você é o piloto da sua carreira. Um mentor não pode fazer o trabalho por você, mas pode ser seu copiloto. Boa viagem!

Fonte: Folha Carreiras – Luana Franzão.