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26 de março de 2026 - Ano 17 - Nº 872
Carreira
 

Pós-graduação
Entenda quando faz sentido para a sua carreira

Em algum momento da vida profissional, ela aparece. Pode ser numa conversa de bar com colegas de trabalho, num anúncio que surge no LinkedIn ou naquele amigo que de repente começa a sumir das noites de sexta. Estamos falando da pós-graduação.

Ela é uma criatura misteriosa do mundo corporativo: todo mundo fala, mas nem sempre fica claro o que é, para que serve ou quando faz sentido embarcar nessa jornada.

O que é? Em termos simples, a pós-graduação é qualquer curso feito depois da graduação, requisito básico para entrar nesse universo.

Esses programas costumam ter mais de 360 horas de duração e são regulamentados pelo MEC. Na prática, funcionam como uma forma de aprofundar conhecimentos ou adquirir novas habilidades profissionais.

Existem dois tipos principais de pós-graduação.

Os cursos "lato sensu" (nomenclatura em latim que significa "sentido amplo", padrão nas universidades) têm duração mais curta e foco prático, voltado para quem quer se desenvolver ou avançar na carreira. Nessa categoria entram cursos como especializações e MBAs.

O mestrado e o doutorado acadêmicos entram na categoria "stricto sensu" ("sentido restrito"). Têm foco acadêmico e aprofundado, voltado para pesquisa, produção de conhecimento e formação de especialistas - muitas vezes para quem quer seguir carreira na universidade ou em áreas que exigem investigação científica.

Cara-crachá. Nem todo mundo chega à pós pelo mesmo motivo.

Segundo Frederike Mette, diretora acadêmica de pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) existem três perfis comuns recorrentes nos cursos da instituição, sobretudo no que tange aos cursos "lato sensu":
- recém-formados, que, em geral, desejam uma maior especialização na área em que se graduaram;
- profissionais que estão no mercado e buscam atualização em algum conhecimento específico;
- profissionais que estão no mercado, mas procuram mobilidade profissional —isto é, entrar em outra área dentro da atividade que exercem.

Emerson Bacelar Mota, professor e coordenador acadêmico dos MBAs de liderança e gestão da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca a diversidade de interesses percebida por quem procura a instituição na qual ele atua.

"No caso dos cursos lato sensu, os alunos querem acelerar a carreira com especialização em determinada área do conhecimento ou novas possibilidades distintas do que fazem hoje, analisando cenários e tendências. Para o stricto sensu, os alunos querem conhecimentos mais profundos em determinado segmento da atividade humana", explica.

Despertador. Se você está esperando alguém avisar "chegou a hora da pós", pode sentar-se.

Não existe uma idade ideal para começar. Embora muitos alunos estejam entre 20 e 40 anos, as turmas costumam reunir profissionais em diferentes fases da carreira, segundo Mette.

Cada vez mais pessoas com anos de experiência voltam à sala de aula para se atualizar em temas novos - especialmente em áreas que mudam rápido, como a comunicação, o marketing, a gestão e a tecnologia.

A pergunta mais importante, portanto, não é "quando fazer", mas "por que fazer".

Faça as contas. Antes de sair se matriculando no primeiro curso que aparecer, vale fazer um pequeno check-up de realidade. Cursar uma pós-graduação exige três coisas: tempo, dinheiro e dedicação.

O investimento financeiro pode ser significativo, dependendo da instituição que você escolher para o curso. Além disso, estudar não significa apenas assistir aulas: há leituras, trabalhos e atividades fora da sala. Por isso, especialistas recomendam tratar a decisão como um projeto pessoal.

"O tempo e a disponibilidade são elementos parceiros na equação, pois nem sempre ter tempo significa disponibilidade, devido a outras prioridades que podem estar no radar. A disponibilidade através do comprometimento é o que de fato considero necessário", instrui Bacelar Mota, da FGV.

Uni-duni-tê. Escolher o tema é a parte mais delicada do processo. Afinal, você passará muitas horas da sua vida estudando aquilo.

Frederike Mette, da ESPM, aconselha olhar ementas, conteúdos e proposta do curso. Conversar com coordenadores e professores também ajuda —muitas instituições oferecem encontros para orientar candidatos.

Papo de corredor. Fazer uma pós-graduação ajuda no networking, afinal, você conviverá com pessoas da sua área, similares ou de um setor para o qual deseja migrar.

"Uma das principais funções dos cursos é fornecer networking com colegas, professores, palestrantes. São conexões que vão começar naquele período de pós-graduação, mas que vão muito além", afirma Mette.

Fonte: Folha Carreiras – Luana Franzão.