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Você já fez pelo menos um curso online ou está pensando em fazer? O mercado de cursos livres —aqueles de curta duração, que vão do gratuito ao caríssimo, do YouTube a instituições como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) cresceu e a oferta é tão grande que escolher virou um problema em si. Eles ajudam em algo na carreira?
A resposta de Cauê Oliveira, diretor no Great Place to Work (GPTW) Brasil, é: depende do que você faz com eles depois.
Na ponta do mouse. O primeiro argumento a favor dos cursos livres é a praticidade. Eles são mais curtos e, em geral, mais baratos do que uma pós-graduação ou um mestrado. Para quem não tem tempo ou não está no momento financeiro para uma segunda formação acadêmica, são uma forma legítima de continuar aprendendo.
"Hoje, aprender é mais fácil. Aplicar é mais raro", resume Oliveira.
Em outras palavras: a disposição de buscar conhecimento por conta própria já diz algo sobre você e recrutadores percebem isso.
"A curiosidade investigativa já é uma habilidade, uma competência não tão fácil de se encontrar", diz ele.
Em áreas que mudam rápido, como inteligência artificial, esperar por uma formação acadêmica formal pode atrasar uma atualização profissional necessária, na opinião do especialista.
Certificado, para que te quero? Para Oliveira, o erro mais comum de quem faz cursos livres é acumular certificados sem conseguir mostrar, nem para si mesmo, nem para o mercado, o que mudou na prática.
"O que as empresas mais valorizam não é a coleção de cursos, mas o quanto você consegue comprovar que eles trouxeram melhoria de produtividade, inovação, criatividade", afirma ele.
Em uma entrevista de emprego, um bom recrutador não vai se impressionar com o nome do curso, vai perguntar como você o aplicou.
"Você já tem algum projeto relacionado? Como pretende desenvolver isso com seus colegas?", são exemplos de perguntas sobre o assunto que podem aparecer.
Se a resposta for vaga, o curso perde peso.
Pescando o peixe certo. Com tantas opções, o risco é fazer qualquer coisa só para ter algo novo no currículo. A dica do diretor da GPTW é começar pelo ponto de chegada: o que você quer para os próximos passos da sua carreira? Definido isso, o funil de opções afunila.
Na hora de avaliar um curso específico, a instituição fala por si quando é conhecida. Quando não é, vale pesquisar quem já fez e, principalmente, se essa pessoa conseguiu aplicar o que aprendeu.
"É como alugar um Airbnb em uma cidade que você nunca foi: não olhe apenas as fotos, leia os comentários."
Na vitrine. Já ouviu falar que "quem não é visto é esquecido"? É mais uma daquela máximas que se apresentam muitas vezes quando falamos do mundo corporativo.
Fazer o curso e aplicar ainda não é suficiente se ninguém souber. Oliveira chama isso de marketing pessoal, reconhecendo que às vezes, o termo vem com uma conotação negativa. "Se você não vender o seu peixe, não vai ser a outra pessoa que vai enxergar."
A sugestão é usar momentos formais - avaliações de desempenho, reuniões de fechamento de trimestre ou semestre - para apresentar resultados concretos. "Traga dados, não achismo. Demonstre o real impacto daquele aprendizado no negócio." Se a empresa ver retorno, pode até bancar o próximo curso.
Pais e responsáveis. A iniciativa de se qualificar, segundo o especialista, precisa partir do próprio profissional, mas isso não significa que a empresa fica de fora. As melhores organizações costumam ter algum orçamento para capacitação.
A liderança também tem papel nisso. Um gestor que pergunta ao time "o que você tem aprendido ultimamente?" já planta uma semente. Pode ir além: indicar uma leitura, abrir espaço para que as pessoas compartilhem aprendizados em reuniões de equipe.
Fonte: Folha Carreiras – Luana Franzão. |